Musea Casa Guerra Junqueiro

Portugal 10 mei 2015.

Rua de Dom Hugo 32, Porto,

Bij toeval, of niet, dit prachtig huis ontdekt.

Het museum bevat onder andere manuscripten, keramiek, meubels, prachtige religieuze beelden en een schitterend gedicht aan de muur.

Het huis is van een dichter journalist Guerra Junqueiro *  17 september 1850  +  7 juli 1923

De sfeer van deze persoon inspireert mij.

Boekhandel Lello in Porto had op dat moment geen dichtbundel te koop.

Een vergeten dichter zei de boekhandelaar.

Ik ben op zoek vindt mezelf en maak hem met hart en ziel zo levend mogelijk door dit blog.

Eerst de vertaling van een deel van het gedicht.

Daaronder het gedicht in het Portugees.

The Tear

(…) Upon the jagged leaf of a sycamore tree

Which, like a scavenger, on stones and lava feeds

The gentle Dawn, compassionate and divine

Shed an eternal tear, huge and crystalline.

So perfect and so limpid a tear that it appeared

From afar a star, a diamond when neared.

With his splendid retinue, a king passed that way

Helmets, spears, bugles thirty banners on display.

“My crown”, exclaimed the king, surveying the scene,

“Contains countless sapphires and gemstones that gleam,

Exquisite rubies of blood-red and gold

Crystallised kisses of love set aglow

There are pearl which are drops of immense agony

Shed as tears by the Moon, frozen hard by the sea,

Yet diamonds and rubies and pearls from Ophir

All this I’d forsake just to have you oh tear (…)

 POEMA “A LÁGRIMA”, DE GUERRA JUNQUEIRO

Guerra Junqueiro A Lágrima

Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,

Sêca, deserta e nua, à beira d’uma estrada.

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,

Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.

Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,

Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,

A aurora desprendeu, compassiva e divina,

Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.

Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,

De perto era um diamante e de longe uma estrêla.

Passa um rei com o seu cortejo de espavento,

Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.

– “No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,

Há safiras sem conta e brilhantes sem par,

“Há rubins orientais, sangrentos e doirados,

Como beijos d’amor, a arder, cristalizados.

“Há pérolas que são gotas de mágua imensa,

Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.

“Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,

Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir

“Nesta c’roa orgulhosa, olímpica, suprema,

Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!”

E a lágrima deleste, ingénua e luminosa,

Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.